A influência da percepção tátil da água na imaginação motora da natação e da caminhada

Os resultados do experimento principal mostraram que a duração da virada de natação imaginada, tanto dentro quanto fora da água, foi significativamente menor do que a duração do movimento real.

Estudos anteriores sobre imaginação motora (IM) sugerem que quanto mais semelhantes forem os contextos de movimento imaginado e real, melhor será a qualidade da imaginação.

Assim, pode-se hipotetizar que, para movimentos realizados em um determinado meio, a IM é mais eficaz quando praticada nesse meio do que fora dele.

Neste estudo, o experimento principal explorou o efeito da percepção tátil da água na IM quando nadadores competitivos foram solicitados a imaginar um movimento realizado na água: a virada na natação.

Neste estudo, os autores realizaram um experimento principal investigando se a capacidade de imaginação cinestésica de nadadores para uma virada, um movimento executado dentro da água, variava dependendo se era executado dentro ou fora da água. No experimento de controle, participantes sem experiência em natação competitiva foram solicitados a realizar imaginação motora (IM) de caminhada, tanto dentro quanto fora da água.

Enquanto o experimento principal focou na investigação do papel da percepção tátil da água durante a IM de uma habilidade específica do esporte executada na água, o experimento de controle visou elucidar esse aspecto durante a IM de um movimento bem conhecido e automatizado, tipicamente realizado em terra, mas também possível na água.

Participantes

Um total de 26 indivíduos participaram deste estudo. Dezesseis jovens nadadores competitivos se voluntariaram para participar do experimento principal. As características demográficas e as métricas de desempenho na natação dos participantes foram avaliadas por meio da coleta de dados sobre idade, altura, peso, pontos FINA, anos de experiência em natação e melhor tempo nos 50 metros (T50). Dez participantes não atletas realizaram o experimento de controle (3 mulheres, 7 homens, idade média ± DP = 28,70 ± 5,42).
Para avaliar a capacidade de imaginação motora dos participantes, foi aplicado o Questionário de Imaginação Motora Revisado (MIQ-R) ( Hall & Martin, 1997 ).
  • O MIQ-R consiste em quatro movimentos que devem ser executados seguindo as instruções e, em seguida, imaginados cinestesicamente ou visualmente, em uma ordem diferente. Após imaginar cada movimento, o participante deve avaliar a vivacidade ou a sensibilidade da imaginação em uma escala de 1 a 7,
    • sendo 1 muito fácil e
    • 7 muito difícil.
  • As pontuações são divididas em categorias visuais e cinestésicas, com base na pontuação total para cada tipo de imaginação recebida.
  • Não foi utilizado nenhum ponto de corte para inclusão ou exclusão de participantes, mas as pontuações de imaginação motora foram utilizadas na análise de correlação.

No experimento principal, a duração do movimento imaginado foi menor que a do movimento real, mas não foram observadas diferenças entre as isocronias dentro e fora da água.

Figura 2. Representação esquemática do delineamento experimental para avaliação do tempo de virada na natação . Os participantes foram instruídos a realizar uma virada na natação com esforço máximo em uma piscina de 25 m. Eles iniciaram na água a uma distância de 10 m da parede para atingir a velocidade máxima.

Fora da piscina, os pesquisadores colocaram uma placa a 10 m e outra a 5 m da parede para indicar quando iniciar (5 m) e parar (10 m) o cronômetro após a virada para medir o tempo real da virada.

  • Uma correlação foi observada entre os escores de habilidade cinestésica em IM e a isocronia na água, indicando que a habilidade cinestésica prévia em IM é essencial para uma IM eficaz na água.
  • O experimento de controle não mostrou diferenças entre a duração da caminhada real e a imaginada, independentemente das condições de imaginação. Esses resultados indicam que a capacidade de imaginação motora depende da tarefa imaginada e da capacidade de imaginação do indivíduo.

No entanto, não parece ser influenciada pela percepção tátil do meio, mesmo que tarefas como nadar só possam ser executadas quando o meio (ou seja, a água) está presente.

Conclusão

  • Em conclusão, estes resultados demonstram, pela primeira vez, que, ao considerar a imaginação motora de gestos realizados tanto na água quanto fora dela, a duração do movimento imaginado não é influenciada pela percepção tátil do meio, mas sim pelo tipo de tarefa imaginada.
  • Além disso, a capacidade de imaginação cinestésica dos atletas parece influenciar o grau em que a duração dos movimentos imaginados espelha a dos movimentos reais.
  • Esses resultados também têm implicações práticas na neurociência do esporte, particularmente para treinadores e profissionais interessados ​​em integrar a imaginação motora como uma ferramenta complementar de treinamento na natação, bem como em outros esportes aquáticos e contextos de treinamento imersivo.

  • Citação: Ricardo Muller Bottura, Marco Fassone, Laura Avanzino, Piero Ruggeri, Marco Bove, Ambra Bisio. The influence of tactile perception of water on motor imagery of swimming and walking. Neuroscience, Volume 605, Pages 58-63, 2026,
    Baixe e leia a publicação completa e original, nesse LINK
  • Siga o instagram do autor brasileiro – Prof Ricado Bottura

Timóteo Araújo

Profissional de Educação Física, com experiência de 25 anos na área da Atividade Física, Vida Ativa e Longevidade. Atuando no Centro de Convivência AMI - Bem Estar.

Atividade Física e Longevidade

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