A remodelação mitocondrial no músculo esquelético é a base da reversão, induzida pelo exercício
Manter a capacidade funcional é um pilar da medicina geriátrica e um objetivo central da pesquisa sobre o envelhecimento. Embora a expectativa de vida humana tenha aumentado, a fragilidade e a incapacidade permanecem altamente prevalentes em idosos.
O exercício físico beneficia a saúde celular e sistêmica, mas os mecanismos moleculares subjacentes não são totalmente compreendidos, e seu papel na preservação da integridade mitocondrial durante o envelhecimento ainda é debatido. Nosso estudo fornece evidências diretas, em modelos de camundongos, de que o declínio da função muscular e a fragilidade relacionados à idade dependem da disfunção mitocondrial e demonstra o potencial do exercício para reverter esses comprometimentos.
A atividade física habitual está associada à remodelação estrutural, funcional e enzimática das mitocôndrias do músculo esquelético em camundongos e humanos idosos, destacando seu potencial terapêutico para preservar a saúde muscular e promover um envelhecimento saudável.
RESUMO
A perda de massa e força muscular esquelética são manifestações comuns de fragilidade em idosos e estão associadas à redução da qualidade de vida. No entanto, ainda não se sabe se as mitocôndrias estão mecanicamente ligadas à fragilidade e como a atividade física, ou a sua ausência, está envolvida no declínio funcional relacionado à idade.
Relatamos que as melhorias na capacidade funcional induzidas pelo exercício, incluindo a redução da fragilidade em camundongos idosos, dependem de adaptações mitocondriais no músculo esquelético em níveis estruturais, enzimáticos e funcionais. Nosso estudo pré-clínico incluiu uma linhagem de camundongos com envelhecimento saudável, um modelo transgênico de robustez e camundongos mutantes com deficiência mitocondrial específica do músculo, permitindo-nos avaliar tanto a plasticidade mitocondrial com o envelhecimento quanto a necessidade de função mitocondrial intacta para as adaptações induzidas pelo exercício.
Esses achados foram corroborados por um estudo transversal em humanos que examinou a relação entre a função mitocondrial do músculo esquelético, a idade e a capacidade física. Analisamos biópsias de 30 doadores (homens e mulheres, com idades entre 17 e 99 anos) estratificados em adultos jovens e idosos com diferentes níveis de funcionalidade. Nossos resultados indicam que a disfunção mitocondrial no músculo esquelético está associada ao declínio da função muscular locomotora em idosos, destacando o papel potencial do exercício ou da atividade física habitual na mitigação desse fenótipo.
Notavelmente, demonstramos que as mitocôndrias do músculo esquelético mantêm a plasticidade durante o envelhecimento em camundongos e humanos, e que essa adaptabilidade preservada pode ser aproveitada para melhorar o desempenho muscular e a capacidade funcional geral.
Citação: E. García-Domínguez, C. García-Domínguez, J.L. Cabrera-Alarcón, M.D.M. Muñoz-Hernández, P. Hernansanz-Agustín, A. Curtabbi, J. Domenech-Fernandez, E. Calvo, J. Vázquez, A.L. Serrano, P. Muñoz-Cánoves, G. Olaso-González, J.A. Enríquez, & M.C. Gómez-Cabrera, Mitochondrial remodeling in skeletal muscle underlies exercise-induced reversal of age-associated functional decline in mice and humans, Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. (2026).
Baixe e leia o resumo, a publicação completa e original não está disponível, nesse LINK
Timóteo Araújo
Profissional de Educação Física, com experiência de 25 anos na área da Atividade Física, Vida Ativa e Longevidade. Atuando no Centro de Convivência AMI - Bem Estar.
