Atividade física em cardiomiopatias pediátricas

Atividade física em cardiomiopatias pediátricas: movimentando-se para a saúde: uma declaração científica da Associação Americana do Coração.

A atividade física (AF) é essencial para a saúde cardiovascular, emocional e social de todas as crianças e adolescentes.

No entanto, para pacientes pediátricos com cardiomiopatia, décadas de diretrizes clínicas avessas ao risco resultaram em restrição generalizada da AF devido ao medo de morte súbita cardíaca e progressão da doença. Isso contribuiu para o comportamento sedentário, baixa aptidão cardiorrespiratória e aumento do risco de condições cardiometabólicas secundárias nessa população.

Cardiomiopatia hipertrófica

A miocardiopatia hipertrófica (MCH) é responsável por 3% a 24% dos casos de morte súbita cardíaca (MSC) em jovens. A preocupação de que a prática de atividade física ou esportes possa aumentar o risco de MSC ou precipitar a progressão da doença tem contribuído historicamente para um padrão de restrição de atividades. Isso acarreta custos substanciais, visto que crianças e adolescentes com MCH podem desenvolver capacidade de exercício reduzidae um risco aumentado de saúde cardiometabólica precária devido às restrições de exercício.
Além disso, níveis reduzidos de atividade física estão associados a menores índices de qualidade de vida e piores índices de saúde mental, enfatizando a relação bidirecional entre atividade física e bem-estar emocional em crianças.

Contudo, dados emergentes desafiam esse paradigma restritivo, mostrando que o risco de morte súbita cardíaca pode não ser maior em alguns pacientes com cardiomiopatia que praticam exercícios do que naqueles menos ativos, e que a participação em AF também pode ter um efeito positivo na remodelação reversa.

Esta declaração científica da American Heart Association fornece uma estrutura baseada em evidências para a promoção da AF em pacientes pediátricos com cardiomiopatia hipertrófica, cardiomiopatia dilatada, cardiomiopatia restritiva ou cardiomiopatia arritmogênica, bem como naqueles com desfibriladores cardioversores implantáveis; descreve os benefícios físicos, sociais e emocionais da AF para essas crianças e adolescentes; e fornece estratégias atualizadas de estratificação de risco, incluindo o uso de exames de imagem avançados, testes de esforço e dados específicos do genótipo.

Tabela 1. Classificações da atividade física e do indivíduo que pratica exercícios.

Esta declaração científica ressalta a importância da tomada de decisão compartilhada, adaptada à maturidade do desenvolvimento e aos objetivos familiares, e enfatiza a necessidade de acompanhamento longitudinal à medida que os fenótipos clínicos evoluem. Com avaliação individualizada e tomada de decisão compartilhada e informada, a maioria das crianças e adolescentes com cardiomiopatia pode praticar atividade física com segurança, com importantes implicações para a saúde cardiometabólica e psicológica a longo prazo.

Tabela. Risco de arritmia relacionado ao exercício e orientações sobre atividade física em diferentes subtipos de cardiomiopatia pediátrica.


  • Citação: Edelson, Jonathan B., Baker-Smith, Carissa M., Cifra, Barbara et al. Physical Activity in Pediatric Cardiomyopathies: Moving for Health: A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation, 2026. 10.1161/CIR.0000000000001431
  • Baixe e leia a publicação completa e original, nesse LINK

 

Indico o perfil da Profa. Cintia Mota pelo perfil @cienciadoexercicio

Timóteo Araújo

Profissional de Educação Física, com experiência de 25 anos na área da Atividade Física, Vida Ativa e Longevidade. Atuando no Centro de Convivência AMI - Bem Estar.

Atividade Física e Longevidade

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