Atividade física para a saúde pública no século XXI

Evidências robustas comprovam os benefícios da atividade física para a imunidade e doenças infecciosas, depressão e câncer.

Com mais de 5 milhões de mortes atribuídas por ano, a inatividade física é um importante problema de saúde pública global.

Embora a importância da atividade física seja amplamente reconhecida no contexto da prevenção e controle da obesidade e das doenças cardiometabólicas, seus benefícios mais abrangentes para a saúde de indivíduos e sociedades ainda não foram totalmente aproveitados. Além disso, o papel do lazer ativo, do transporte ativo e do trabalho ativo — domínios primários da atividade física — no apoio ou na dificuldade da equidade social e em saúde tem sido amplamente negligenciado.

Aqui, os autores

(1) utilizamos uma perspectiva de equidade em saúde para descrever as desigualdades globais em domínios específicos da atividade física por meio de uma análise dos dados da abordagem STEPwise da Organização Mundial da Saúde para a vigilância de fatores de risco de DCNT (OMS STEPS) de 68 países;

(2) resumimos as evidências que relacionam a atividade física com desfechos de saúde além das doenças cardiometabólicas, incluindo imunidade e doenças infecciosas, depressão e câncer; e

(3) desenvolvemos um novo modelo que reconceitualiza a atividade física para melhor responder aos desafios de saúde pública do século XXI.

Nossa análise global e interseccional das desigualdades de gênero e socioeconômicas na atividade física revelou uma diferença de 40 pontos percentuais no lazer ativo — o único domínio consistentemente impulsionado pela escolha — entre grupos historicamente privilegiados (homens ricos em países de alta renda) e grupos historicamente desfavorecidos (mulheres pobres em países de baixa renda).

Evidências robustas comprovam os benefícios da atividade física para a imunidade e doenças infecciosas, depressão e câncer.

Figura: Análise interseccional das desigualdades socioeconômicas e de gênero na atividade física em domínios específicos, por grupo de renda do país

Foram observados diferentes padrões de desigualdade para o transporte ativo e o trabalho ativo, com grandes variações no grau de desigualdade entre homens ricos e mulheres pobres em diferentes categorias de renda dos países (Fig. 3 ). Por exemplo, em países de alta renda e de renda média-alta, mais mulheres de baixa condição socioeconômica atendem às diretrizes por meio do transporte ativo do que homens ricos, mas diferenças menores são observadas em países de renda média-baixa e de baixa renda. Da mesma forma, em todos os grupos de renda dos países, exceto nos países de alta renda (ou seja, nos países de baixa e média renda), a prevalência do atendimento às diretrizes por meio do trabalho ativo é maior em mulheres de baixa condição socioeconômica do que em homens de alta condição socioeconômica.

Nosso modelo reconceitualizado reconhece a influência das identidades sociais, normas, políticas e estruturas na atividade física para a saúde e o bem-estar e enfatiza a necessidade urgente de desenvolver e implementar políticas e programas que disseminem e aproveitem todos os benefícios da atividade física para a saúde humana, social e planetária.


  • Citação: Salvo, D., Crochemore-Silva, I., Wendt, A. et al. Physical activity for public health in the 21st century. Nat Med 32, 1479–1489 (2026).
  • Baixe e leia a publicação completa e original, nesse LINK
  • Veja a figuras criadas pela Profa e Gerontologa Talita Cezareti |

Timóteo Araújo

Profissional de Educação Física, com experiência de 25 anos na área da Atividade Física, Vida Ativa e Longevidade. Atuando no Centro de Convivência AMI - Bem Estar.

Atividade Física e Longevidade

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