Cabeceios de grande magnitude não estão associados a alterações estruturais e funcionais no cérebro de jogadores de futebol de alto nível em atividade.
Objetivos: Até o momento, faltam evidências consistentes sobre as consequências de cabeceios no futebol na estrutura e função do cérebro, mas estudos iniciais indicam um possível efeito de cabeceios específicos de alta intensidade.
- O objetivo deste estudo longitudinal e prospectivo foi investigar se possíveis alterações estruturais e/ou funcionais no cérebro estão associadas a cabeceios (de alta intensidade).
Métodos:
- Sequências de ressonância magnética de 3T foram obtidas de jogadores de futebol masculino de alto nível em atividade, antes e depois de um período de observação de 17,2 meses (mediana).
- A espessura cortical e o volume de substância cinzenta (SC) foram investigados em todo o cérebro. A conectividade funcional (CF) foi analisada na rede de modo padrão (RMP) e na rede de saliência (RS).
- Durante o período de observação, cada treino e cada partida foram gravados em vídeo e avaliados quanto à exposição a cabeceios.
- Os achados estruturais e funcionais significativos foram posteriormente correlacionados com características específicas dos cabeceios.
Os resultados
- incluíram 14 participantes (idade média: 20,36 ± 3,34 anos) que realizaram 5822 cabeceios.
- O volume da substância cinzenta permaneceu inalterado, enquanto a espessura cortical diminuiu minimamente do pré para o pós-teste em uma região pré-central esquerda (variação média: 0,048 ± 0,128 mm; p = 0,0416 por cluster).
- Dentro da rede de saliência (SN), a conectividade funcional (CF) aumentou em um cluster (p = 0,026 corrigido pela taxa de falsos positivos).
- A CF permaneceu estável dentro da rede de modo padrão (DMN) e entre a DMN e a SN.
- A variação do pré para o pós-teste para os resultados significativos não apresentou correlação com as variáveis de cabeceio.
Tabela 1 – Números totais e percentagens do total de cabeceamentos, distância percorrida pela bola e duelos de cabeça para 14 jogadores.

Conclusão: Os achados podem indicar que não há efeito cumulativo do cabeceio durante o período de observação. Como esses resultados contrastam com achados transversais, estudos longitudinais e prospectivos com amostras maiores são urgentemente necessários para compreender os potenciais efeitos do cabeceio.
- Citação: Mund FK, Feddermann-Demont N, Welsch GH, Schuenemann C, Fiehler J, Thaler C, et al. High-magnitude headers are not associated with structural and functional brain changes in active high-level football (soccer) players. BMJ Open Sport & Exercise Medicine. 2025;11:e002636.
- Leia a versão original e completa do artigo nesse LINK.
Timóteo Araújo
Profissional de Educação Física, com experiência de 25 anos na área da Atividade Física, Vida Ativa e Longevidade. Atuando no Centro de Convivência AMI - Bem Estar.
