Eficácia das intervenções de manutenção que promovem a atividade física após terapia com exercícios para doenças crônicas: uma revisão abrangente
Investigar a eficácia de intervenções de manutenção pós-terapia com exercícios sobre a atividade física (AF), função física, aptidão física, qualidade de vida relacionada à saúde, eventos adversos, hospitalização e retorno ao trabalho em pessoas com doenças crônicas.
Desenho: Nesta revisão abrangente, foi realizada uma síntese narrativa. O risco de viés foi avaliado utilizando a ferramenta Risk of Bias in Systematic Reviews. A qualidade e a certeza da evidência foram avaliadas utilizando o sistema GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation).
Resultados:
- De 10.931 resultados, 19 revisões sistemáticas (136 ensaios clínicos randomizados únicos) foram incluídas.
- As revisões incluíram pessoas com doença respiratória crônica (n=64), doença cardiovascular (n=54), dor lombar crônica (n=4) ou osteoartrite de joelho/quadril (n=14).
- A maioria das revisões apresentou risco de viés incerto (n=10).
- Identificamos três tipos de intervenções de manutenção com base na modalidade de aplicação: predominantemente digital, predominantemente presencial e uma categoria mista, compreendendo modalidades exclusivamente digital, presencial ou híbrida. Foram encontrados efeitos benéficos das intervenções de saúde digital na atividade física subjetiva (diferença média padronizada (DMP) 0,37, IC 95% 0,05 a 0,69, baixa certeza), mas nenhum efeito benéfico foi encontrado para as sessões de reforço presenciais (certeza muito baixa a baixa).
- Intervenções mistas de manutenção demonstraram efeitos benéficos na qualidade de vida relacionada à saúde (DM 0,28 pontos, IC 95% 0,05 a 0,52; DMP 0,22, IC 95% 0,03 a 0,41; DM −2,69 pontos, IC 95% −4,49 a −0,9; certeza moderada), na atividade física objetiva (DMP 2,14, IC 95% 0,9 a 3,38, baixa certeza) e na função física objetiva (DMP 0,48, IC 95% 0,19 a 0,77, baixa certeza).
- Não encontramos efeito ou observamos efeitos inconsistentes na aptidão física, eventos adversos, hospitalização e retorno ao trabalho (certeza baixa a moderada).
Figure 3 – Evidence map for maintenance interventions across chronic conditions.

Bubbles are placed by categories of effectiveness (x-axis) and certainty of evidence (y-axis). The position within categories is not meaningful. The bubble size shows the number of participants in the narrative synthesis, the color indicates outcome type, and parentheses indicate the chronic conditions studied for each outcome. *Assessment 6 months post maintenance intervention. Mixed intervention: mix or combination of in-person and digital delivery modes; Digital: intervention primarily delivered digitally, e.g., phone call or apps; Booster intervention: sessions delivered primarily in-person. Comparison groups: usual care (e.g., advice) or minimal intervention (e.g., blinded wearable). CLBP, chronic low back pain; CRD, chronic respiratory disease; CVD, cardiovascular disease; OA, knee/hip osteoarthritis.
Conclusão:
- Intervenções de manutenção podem ajudar as pessoas a manterem-se fisicamente ativas e a melhorarem a função física e a qualidade de vida relacionada à saúde. No entanto, essa conclusão baseia-se em evidências de baixa certeza.
- Os demais resultados foram, em geral, inconsistentes ou não indicaram efeitos.
- Intervenções digitais de manutenção demonstram alguns efeitos benéficos para a atividade física, mas são necessários estudos de maior qualidade que abranjam diversas condições crônicas.
Citação: Luijk A, Bricca A, Mortensen SR, et al. Effectiveness of maintenance interventions promoting physical activity following exercise therapy for chronic conditions: an umbrella review. British Journal of Sports Medicine 2026;60:884-899.
- Leia a versão original nesse LINK
Timóteo Araújo
Profissional de Educação Física, com experiência de 25 anos na área da Atividade Física, Vida Ativa e Longevidade. Atuando no Centro de Convivência AMI - Bem Estar. CREF/SP 06432
