Se for para cair, que seja no abraço de alguém
Possivelmente, um dos maiores medos que sentimos ao pensar na própria velhice está relacionado à perda da autonomia para fazer escolhas e da independência para realizar as atividades do dia a dia sozinho. Há também o receio da solidão e da ausência de vínculos afetivos para compartilhar o cotidiano ou contar com apoio em momentos delicados.
Sabemos que, ao longo da vida, nossos hábitos, a exposição a situações de risco e o agravamento de doenças crônicas são preditores de uma velhice com limitações. Por esse motivo, programas voltados à promoção da saúde e à prevenção são fundamentais para minimizar riscos e favorecer um envelhecimento ativo e saudável.
O dia 24 de junho, data em que se realiza mundialmente a Campanha de Prevenção de Quedas em Pessoas Idosas, é uma oportunidade para refletirmos que este tema vai muito além dos aspectos biomédicos. Ele perpassa questões sociais e culturais, bem como as oportunidades e iniquidades que acumulamos ao longo da vida, e que se acentuam de forma mais grave na velhice.
Ao falar sobre prevenção, muito além de orientar sobre adaptações ambientais — como o cuidado com tapetes, calçados, barras de proteção, pisos apropriados e um espaço urbano que garanta a mobilidade segura para todas as pessoas, aspectos que reforço que são fundamentais —, precisamos falar sobre a importância de fatores sociais e culturais que frequentemente ficam em segundo plano nessa pauta.
Garantir um acesso seguro para que as pessoas idosas mantenham suas rotinas fora de casa, tanto para o cuidado e acompanhamento de saúde, quanto para as atividades de lazer, é fundamental. Porém, além da logística, precisamos discutir políticas públicas e acesso à informação. Pensar em promoção de saúde é ir além do binômio saúde/doença; é considerar o bem-estar físico, mental e social — uma intersecção indispensável para a prevenção de quedas.
De acordo com o Estatuto da Pessoa Idosa, é direito o acesso a serviços voltados à prática de esportes, lazer, arte e cultura, bem como a espaços que promovam a socialização e o reforço dos vínculos afetivos.
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Timóteo Araújo
Profissional de Educação Física, com experiência de 25 anos na área da Atividade Física, Vida Ativa e Longevidade. Atuando no Centro de Convivência AMI - Bem Estar.
